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domingo, 6 de fevereiro de 2011

Atividades de Qualidade

Além da linguagem básica do amor “Qualidade de Tempo” — que é dedicar total atenção a seu cônjuge — há um outro dialeto que se chama atividades de qualidade. Em um recente seminário sobre casamento, pedi que os casais completassem a seguinte sentença: “Sinto mais amor por meu cônjuge quando ________”. Veja as respostas dadas por um jovem marido, casado há oito anos:
“Sinto-me mais amado por minha esposa quando exercemos atividades em conjunto, ou seja, coisas que eu goste de fazer e ela também aprecie. Dessa forma conversamos mais. É como se estivéssemos namorando outra vez”.
Essa é uma linguagem típica de pessoas cuja primeira linguagem do amor é “Qualidade de Tempo”. A ênfase é dada no estarem juntos, em realizarem ao lado um do outro as mesmas
atividades, e em dedicarem atenção total às suas necessidades.
Entende-se por atividades de qualidade qualquer coisa pela qual um ou os dois se interessem. A ênfase não está no que se faz, mas no porquê decidiu-se realizá-lo. O objetivo é terem uma
experiência juntos, e terminá-la de forma a afirmarem: “Ele (ela) se interessa por mim. Ele quis fazer comigo algo que eu apreciava e realizou-o com uma atitude muito positiva”. Isso é amor e, para algumas pessoas, é a forma em que ele fala mais alto.
Tracie cresceu em meio a concertos. Em toda sua infância, a casa sempre esteve repleta de música clássica. Pelo menos uma vez ao ano ela acompanhava seus pais a um festival. Larry, por outro lado, gostava de música “country”. Ele nunca fora a um concerto e seu rádio estava sempre ligado em estações de música popular. Ele chamava a preferência de sua esposa de sinfonia de elevador. Se ele não tivesse se casado com Tracie, teria atravessado sua vida sem jamais assistir a um concerto. Antes do casamento, enquanto atravessava a fase da paixão obcecada, ele chegou até a assistir a alguns espetáculos musicais. Porém, mesmo apaixonado, ele perguntou se
ela chamava “aquilo” de música!
Após o casamento, decidiu que nunca mais sairia de casa para ouvir um concerto. No entanto, quando anos mais tarde descobriu que “Qualidade de Tempo” era a primeira linguagem do amor de Tracie e ela apreciava de forma especial o dialeto das atividades de qualidade, quis acompanhá-la e o fez entusiasmado. Seu propósito era claro. Ele não ia para assistir ao concerto, mas para demonstrar amor a Tracie e falar alto em sua linguagem. Com o passar do tempo,
chegou a apreciar os concertos e, ocasionalmente, a deleitar-se com um ou dois movimentos. Talvez ele nunca se torne um amante da música erudita, mas provavelmente diplomou-se em demonstrar amor à sua esposa.
Um dos pontos positivos das atividades de qualidade é que elas possibilitam o armazenamento
de um banco de memórias ao qual podemos nos reportar pelos anos futuros.
Entre as atividades de qualidade citamos plantar um jardim, descobrir e ir a liquidações, colecionar antiguidades, ouvir música, fazer piqueniques, caminhar, lavar o carro juntos durante o verão, etc. Essas atividades limitam-se apenas pelo interesse e desejo de tentar, ou não, novas experiências. Os ingredientes especiais para uma atividade de qualidade, são:
1. Desejo de fazê-la, proveniente de um dos dois.
2. O outro estar disposto a executá-la.
3. Ambos estarem conscientes porque devem realizá-la — expressar amor de forma a permanecerem juntos.
Um dos pontos positivos das atividades de qualidade é que elas possibilitam o armazenamento de um banco de memórias ao qual podemos nos reportar pelos anos futuros. Feliz é o casal que se
lembra de uma caminhada feita de manhã ao longo da praia; de uma árvore plantada no jardim; do tempo em que colocaram iscas para acabar com as formigas do pomar; do projeto de pintura dos quartos; da noite em que foram juntos ter aulas de patim e um deles caiu e quebrou a perna; dos passeios pelo parque; dos concertos; dos recitais e, como esquecer, do tempo gasto apreciando uma cascata após a longa caminhada de bicicleta até encontrá-la? Podem até sentir os respingos que caíram em seus rostos. Essas são memórias de amor, especialmente para aquelas pessoas cuja primeira linguagem for “Qualidade de Tempo”.
E, como achar tempo para tais atividades, especialmente se ambos trabalham fora? Achamos a ocasião da mesma forma que a encontramos para almoçar e jantar. Por quê? Porque são tão
essenciais para nosso casamento como as refeições o são para nossa saúde.
Isso é difícil? E preciso planejamento?
Sim!
Implica em que tenhamos de abrir mão de algumas atividades particulares?
Talvez!
Significa que faremos algumas coisas que, particularmente, não apreciamos?
Certamente!
Será que compensa?
Sem sombra de dúvida!
O que posso aprender com isso?
O prazer de viver com um cônjuge que é amado e sabe disso, pois compreende que o (a) esposo (a) aprendeu a falar sua primeira linguagem de forma fluente.
Gostaria de dar uma palavra de agradecimento a Bill e Betty Jo, de Little Rock, que me ensinaram o valor da primeira linguagem do amor — “Palavras de Afirmação”, e também a segunda —
“Qualidade de Tempo”.
Agora, vamos até Chicago para encontrarmos a terceira linguagem do amor.

Fonte: As Cinco Linguagens do Amor

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Tipos de Personalidade

Nem todos estamos desconectados de nossas emoções, mas quando o assunto vem à tona, todos somos afetados por nossa maneira específica de ser. Tenho observado dois tipos básicos de personalidade. Ao primeiro, chamarei de “mar Morto”. Na pequena nação de Israel, o mar da Galileia segue rumo ao sul através do rio Jordão até o mar Morto. Este não vai a lugar nenhum. Ele recebe, mas nada retribui. Esse tipo de personalidade adquire muitas experiências, emoções e diversos pensamentos ao longo do dia.
Possui um amplo reservatório onde armazena informações e sente-se absolutamente feliz em não falar. Se você perguntar à personalidade mar Morto:
“O que há de errado? Por que você ainda não abriu a boca esta noite?”
A resposta, muito provavelmente, será:
“Nada há de errado. Por que você pensa assim?”
E aquela resposta será absolutamente honesta. Ele está feliz por nada falar. Gostaria de fazer uma longa viagem, de norte a sul do país, para não dizer uma única palavra e estar sinceramente feliz.
Em outro extremo, porém, encontra-se o “riacho rápido”. Esse tipo de personalidade pode ser descrita como aquela que, entre o que passa pelos olhos ou ouvidos leva no máximo sessenta segundos até que saia pela boca. Sobre o que vêem, ou ouvem, falam rapidamente.
De fato, se não houver ninguém em casa para que comentem a respeito, darão um jeito para falar com alguém:
“Sabe quem eu vi hoje?”
“Sabe o que eu ouvi hoje?”
Se não conseguem conversar ao telefone, falam consigo mesmos, porque não possuem algum reservatório. É comum que o mar Morto e o riacho Rápido casem-se. Isso ocorre porque, quando estão em pleno namoro, as características opostas tornam-se muito atraentes para ambos.
Uma forma de se aprender novos padrões de comportamento é estabelecer, diariamente, um período no qual cada um poderá falar sobre três situações que ocorreram durante o dia e os sentimentos que tiveram em relação a elas.
Se você for o mar Morto e sair com o riacho Rápido, provavelmente terá uma noite maravilhosa. Não terá de se preocupar em iniciar uma conversa e nem em mantê-la. Para falar a verdade, não deve nem pensar sobre isso. Tudo o que fará será balançar sua cabeça e fazer “hum, hum...” e esta expressão preencherá a noite toda. Você chegará em casa e pensará: “Que noite! Que pessoa maravilhosa!”
Por outro lado, se for um riacho Rápido e sair com o mar Morto, também terá um encontro igualmente maravilhoso porque este reservatório é o melhor ouvinte do mundo. Você deve falar durante umas três horas. O mar Morto ouvirá atentamente o riacho Rápido e, ao chegar em casa seu comentário será: “Que pessoa maravilhosa!”
Haverá uma atração recíproca. Porém, cinco anos após o casamento, o riacho Rápido acordará em uma bela manhã e dirá:
“Estamos casados há cinco anos mas eu não o conheço!”
O Mar Morto, por outro lado dirá:
“Eu a conheço muito bem! Gostaria muito que ela interrompesse um pouco esse dilúvio de palavras e desse-me atenção”.
A boa notícia, nisso tudo, é que o mar Morto provavelmente aprenderá a falar e o riacho Rápido saberá ouvir. Somos influenciados mas não dominados por nossas personalidades.
Uma forma de se aprender novos padrões de comportamento é estabelecer, diariamente, um período no qual cada um falará sobre três situações que ocorreram durante o dia e os sentimentos que tiveram em relação a elas. Chamo esse método de “Dose Mínima Diária” para um casamento saudável. Se você começar com esse período, em algumas semanas, ou meses, a conversa de qualidade fluirá mais livremente entre vocês.

Fonte: As Cinco Linguagens do Amor

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Aprendendo a Falar

Uma conversa de qualidade requer não somente consideração ao ouvir, mas também disposição em expor-se. Quando uma esposa diz: “Gostaria tanto que meu marido conversasse comigo! Nunca sei o que ele pensa ou sente...” Ela clama por intimidade; quer sentir-se próxima de seu esposo. Mas, como sentir-se ao lado de alguém a quem não conhece? Para que ela se sinta amada, o marido precisa aprender a se expor. Se a primeira linguagem do amor dela for
“Qualidade de Tempo” e seu dialeto, conversa de qualidade, seu tanque emocional nunca estará completo até que ele partilhe com ela seus pensamentos e sentimentos.
Se você precisa aprender a linguagem da conversa de qualidade, comece a observar as emoções que sente quando está fora de casa.
Para muitos de nós, o ato de expor-se não é nada fácil. Muitos adultos foram criados em lares onde a expressão dos pensamentos e sentimentos não só jamais foi encorajada, como também era condenada. Pedir um brinquedo era recebido com um sermão sobre a situação econômica familiar. A criança sentia-se culpada por causa daquele desejo e, então, rapidamente aprendia a não expressar mais seus desejos. Quando um filho ou filha expressava raiva, os pais repreendiam-no (na) severamente com palavras condenatórias. O que acontecia então? A criança aprendia que expressar sentimentos de raiva também não era algo apropriado. Se um deles passasse a sentir-se culpado por expressar seu desapontamento pelo fato de não poder
ir ao supermercado com o pai, aprendia a guardar seu desagrado para si. Nós, adultos, ao atingirmos a maturidade, aprendemos a negar nossos sentimentos. Deixamos de ter contato com nosso ser emocional.
Uma esposa pergunta a seu marido:
— Como você se sentiu com a reação de Mark?
E o marido responde:
— Eu acho que ele está errado. Ele deveria ter feito assim, assim e assim...
Note, porém, que ele não expressa seus sentimentos. Simplesmente manifesta seus pensamentos. Talvez ele tenha motivos para sentir-se triste, com raiva, ou desapontado. No entanto, vive a tanto tempo no nível do raciocínio, que nem ao menos reconhece a existência de seus sentimentos. O ato de aprender a linguagem da conversa de qualidade pode ser comparado ao aprendizado de uma língua estrangeira. O início sempre é uma aproximação dos sentimentos, e o aluno pouco a pouco torna-se consciente de que é uma criatura emocional, apesar do fato de ter ignorado aquela faceta de sua vida.
Se você precisa aprender a linguagem da conversa de qualidade, comece a perceber os sentimentos que lhe ocorrem quando está longe de casa. Compre um bloquinho de rascunho e
mantenha-o diariamente com você. Três vezes, durante o dia, faça a si mesmo as seguintes perguntas:
• Que emoções senti nas últimas três horas?
• O que senti a caminho do trabalho quando o motorista atrás de mim ficou o tempo todo colado em meu pára-choque?
• Como eu me senti quando fui colocar combustível no carro e a bomba automática não funcionou e fez com que o tanque transbordasse, derramasse e molhasse de gasolina toda a parte de trás
do carro?
• Como me senti quando, ao chegar ao escritório, soube que minha secretária fora requisitada para um outro projeto da empresa e não estaria presente toda a manhã?
• Como me senti quando meu supervisor me comunicou que o projeto no qual eu trabalhava teria de ser concluído em três dias, quando pensei que teria mais duas semanas?
Escreva seus sentimentos no bloco de rascunho e, ao lado, coloque uma ou duas palavras para lembrá-lo do evento correspondente ao sentimento. Sua lista deve ficar mais ou menos assim:

Situação Sentimentos
1. motorista colado atrás - RAIVA
2. posto de gasolina - DESAGRADO
3. sem secretária - DESAPONTADO
4. projeto em três dias - FRUSTRAÇÃO E ANSIEDADE

Faça este exercício três vezes ao dia e você descobrirá sua natureza emocional. Utilize seu bloquinho e comunique a seu cônjuge as emoções que experimentou, juntamente com as situações enfrentadas. Quanto mais você fizer isso, melhor será. Em algumas semanas sentir-se-á mais confortável para expressar suas emoções a ele (a). Finalmente, será também capaz de, mais à vontade, conversar sobre seus sentimentos em relação ao (à) esposo (a), aos filhos e a eventos que ocorram em casa. Lembre-se que as emoções em si não são certas nem erradas. São simplesmente nossas reações psicológicas aos acontecimentos da vida.
Constantemente tomamos nossas decisões baseados em nossos pensamentos e emoções. Quando o motorista estava “grudado” em seu carro, a caminho do trabalho, e você ficou com raiva, será que alguns dos seguintes pensamentos passaram por sua cabeça?

• Gostaria que ele saísse da pista;
• Gostaria que ele me ultrapassasse;
• Se eu não corresse o risco de ser multado, gostaria de pisar fundo o acelerador e deixá-lo para trás, “comendo poeira”;
• Gostaria de dar uma boa freada de forma que ele entrasse com tudo na traseira de meu carro, e a seguradora tivesse de me dar um carro novo;
• Talvez eu deva sair para a direita e deixá-lo passar.
Você, eventualmente, tomou alguma dessas decisões ou o outro motorista reduziu a marcha, ou ultrapassou seu carro e você conseguiu chegar seguro ao trabalho. Cada evento de nossa vida gera emoções, pensamentos, desejos e também ações. À expressão desse processo chamamos de auto-revelação. Se você optar em aprender o dialeto da conversa de qualidade, esse é o caminho pelo qual deverá trilhar.

Fonte: As Cinco Linguagens do Amor

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Conversa de Qualidade

Como as palavras de afirmação, a linguagem da “Qualidade de Tempo” também possui vários dialetos. Um dos mais utilizados é o da conversa de qualidade. Afirmo com isso a existência de um diálogo acolhedor onde duas pessoas compartilham experiências, pensamentos, emoções e desejos, de forma amigável, e em um contexto sem interrupções. A maioria das pessoas que reclamam que seus cônjuges não conversam, raramente não toma parte em algum diálogo mais íntimo. Se afirmam isso é porque nada falam, de forma literal. Querem dizer que se a primeira linguagem do amor de seu cônjuge for “Qualidade de Tempo”, esse tipo de diálogo é importantíssimo para sua parte emocional, no que diz respeito a sentir-se amado.
Conversa de qualidade é bem diferente da primeira linguagem do amor. Palavras de afirmação focalizam o que afirmamos, ao passo que conversa de qualidade focaliza o que ouvimos. Se externo meu amor por você através da “Qualidade de Tempo” e gastamos esse tempo juntos, significa que este propósito estará em fazer você vir à tona, ouvir atentamente o que pretende dizer. Farei perguntas, não por obrigação, mas com o desejo genuíno de entender seus pensamentos, sentimentos e desejos.
Conheci Patrick quando ele tinha 43 anos e estava casado há dezessete. Lembro-me bem dele porque suas primeiras palavras foram dramáticas. Ele se sentou na cadeira de couro de meu escritório e após uma breve apresentação inclinou-se para frente e disse tomado de grande emoção:
— Dr. Chapman, tenho sido um idiota, um perfeito idiota!
Perguntei-lhe:
— O que o fez chegar a essa conclusão?
— Tenho 17 anos de casado e, de repente, minha mulher me deixou. Só agora pude perceber como sou idiota!
Ao ouvir suas palavras, mantive minha pergunta inicial:
— De que forma você acha que tem sido um idiota?
— Deixe-me explicar. Minha esposa chegou em casa após um dia de trabalho e contou-me que estava passando por alguns problemas em seu emprego. Eu a ouvi e disse-lhe o que ela deveria fazer. (Eu sempre lhe dei conselhos.) Então afirmei que ela mesma precisava confrontar aquela situação, pois os problemas não costumam sumir facilmente, e ela deveria conversar com as pessoas envolvidas ou o supervisor de seu departamento. Seria necessário que ela enfrentasse aquela situação. No dia seguinte, porém, ela chegou do serviço e falou dos mesmos problemas. Eu então perguntei se ela fizera o que eu sugerira no dia anterior. Ela sacudiu a cabeça e disse que não. Repeti, naquele momento, o mesmo conselho. Disse-lhe que aquela era a forma correta de lidar com a situação. No dia seguinte ela chegou em casa e apresentou novamente os mesmos problemas. Mais uma vez eu lhe perguntei se fizera o que eu propusera. Mais uma vez ela sacudiu a cabeça e disse que não. Após umas três ou quatro noites fiquei muito bravo e disselhe que não contasse mais comigo enquanto não fizesse o que eu lhe recomendara. Ela não precisava viver sob aquela pressão, pois resolveria seu problema se simplesmente fizesse o que eu lhe falara.
Na próxima vez em que ela veio me falar sobre aquele problema, eu lhe disse:
— Não quero mais ouvir sobre isso. Já lhe falei várias vezes o que fazer. Se você não quer ouvir meus conselhos, também não desejo mais ouvir falar sobre este assunto!
Muitos de nós somos treinados a analisar problemas a fim de dar-lhes soluções. Esquecemos que o casamento é um relacionamento, e não um projeto a ser terminado ou um problema a ser resolvido.
Ele prosseguiu o seu relato:
— Eu me retirei e dirigi-me ao meu trabalho. Como fui idiota! Agora percebo que, quando ela me falava sobre suas lutas no trabalho, não desejava meus conselhos. Ela queria solidariedade. Desejava que eu a ouvisse, desse-lhe atenção, e dissesse-lhe que entendia a dor, a pressão e a tensão pelas quais passava. Ela queria ouvir que eu a amava e estava ao seu lado. Ela não desejava conselhos, porém a minha compreensão. Mas eu jamais tentei entendê-la. Estava muito afastado dela ao conceder-lhe apenas conselhos. Que louco fui eu! E agora ela foi embora. Por que a gente não percebe estas coisas quando estamos passando por elas? Eu estava completamente cego para o que acontecia. Só agora percebo como falhei com ela.
A esposa de Patrick suplicava por uma conversa de qualidade.
Emocionalmente, ela esperava que ele lhe desse ouvidos ao ouvir sua dor e frustração. Patrick, porém, não focalizava sua atenção em ouvir, mas em falar. Ele escutava somente o suficiente para perceber o problema e formular uma saída. Ele não a ouvia o tempo necessário para compreender sua súplica por apoio e compreensão.
Nós somos como Patrick. Somos treinados para tomar conhecimento dos problemas e dar soluções. Esquecemos que o casamento é um relacionamento, não um projeto a ser terminado ou um problema a ser resolvido. Uma convivência a dois implica em simpatia, em ouvir com a intenção de entender o que o outro cônjuge pensa, sente e deseja. Devemos também estar dispostos a aconselhar, mas somente quando solicitados e jamais de forma arrogante. A maioria de nós não sabe ouvir. Somos mais eficientes em pensar e falar. Aprender a ouvir pode ser tão difícil quanto estudar uma língua estrangeira. Porém, se quisermos comunicar o amor, precisamos aprender. Isso é especialmente importante, se a primeira linguagem de seu cônjuge for “Qualidade de Tempo” e se o dialeto dele for conversa de qualidade. Felizmente, há muitos livros e artigos escritos sobre a arte de ouvir. Não repetirei o que já foi escrito em vários
outros trechos, mas gostaria de dar algumas dicas que podem ajudar bastante:
1. Procure olhar nos olhos de seu cônjuge quando ele lhe falar alguma coisa. Essa atitude ajuda sua mente a não divagar e comunica que ele realmente recebe sua total atenção.
2. Não faça outra coisa enquanto ouve seu cônjuge. Lembre-se: “Qualidade de Tempo” é dedicar ao que lhe fala sua total atenção. Se você porventura assistir TV, ler ou praticar qualquer outra atividade pela qual esteja muito envolvido, e não puder desviar a atenção imediatamente, diga isso a seu cônjuge: “Sei que você quer falar comigo agora, e estou interessado em ouvir-lhe. Só que gostaria de conceder-lhe mais atenção, e no momento não é possível. Se você me conceder dez minutos para eu terminar o que estou fazendo, sentaremos juntos e então ouvirei o que você tem a dizer.” A maioria dos (as) esposos (as) deverá atender a uma solicitação dessas.
3. “Escute” o sentimento. Pergunte a você mesmo o tipo de emoção que seu cônjuge sente no momento. Quando achar que descobriu, confirme. Por exemplo: “Tenho a impressão que você está desapontado por eu ter esquecido de...” Essa é uma oportunidade para você certificar-se de seus sentimentos. Também comunica que ouve com atenção o que lhe é dito.
4. Observe a linguagem corporal. Punhos cerrados, mãos trêmulas, lágrimas, cenho franzido e expressão dos olhos fornecem pistas do que seu cônjuge sente. Algumas vezes, a linguagem verbal diz uma coisa, enquanto a corporal afirma outra. Solicite um esclarecimento a fim de poder confirmar seus reais sentimentos.
5. Recuse interrupções. Pesquisas recentes indicam que, em média, as pessoas ouvem apenas 17 segundos antes de interromperem para inserir na conversa as próprias idéias. Se eu lhe dedicar minha total atenção enquanto você fala, evitarei defender-me a fim de fazer-lhe acusações ou mesmo, dogmaticamente, evidenciar minha posição.
Meu objetivo é perceber seus sentimentos e pensamentos. O alvo não é autodefender-me ou permitir que você ganhe uma discussão; a intenção é compreendê-lo (a).

Fonte: As Cinco Linguagens do Amor

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Estar Juntos

O aspecto central da “Qualidade de Tempo” é estar sempre juntos. Não quero dizer simples proximidade. Duas pessoas sentadas em uma mesma sala estão próximas, mas não necessariamente juntas.
O estar junto tem a ver com o focalizar a atenção. Quando um pai está sentado no chão e brinca de bola com seu filho de dois anos, sua atenção está focalizada na criança e não na bola. Naquele momento, por mais breve que seja, enquanto durar, eles estão juntos. Se, no entanto, o pai fala ao telefone enquanto chuta a bola para o filho, sua atenção está dividida. Há maridos e esposas achando que gastam o tempo juntos mas, na realidade, simplesmente vivem próximos.
Estão na mesma casa, ao mesmo tempo, mas não estão juntos. Um marido que assiste a uma sessão de esportes na televisão enquanto conversa com a esposa não lhe concede “Qualidade de Tempo”, pois ela não recebe sua total atenção.
Dedicar “Qualidade de Tempo” não significa olhar nos olhos um do outro o tempo todo. Quer dizer fazer coisas juntos e conceder atenção total a quem está conosco. A atividade com a qual nos envolvemos é secundária. A importância é emocional e refere-se à atenção total que concedemos e recebemos. A atividade em si é um veículo que proporciona o sentimento da interação. O que é importante no fato do pai chutar a bola para o filho de dois anos, não é a atividade em si, mas as emoções suscitadas entre os dois.
Da mesma forma, marido e esposa que jogam tênis juntos, a verdadeira “Qualidade de Tempo” focaliza não o jogo em si, mas o fato de que fazem algo em companhia um do outro. O importante é o que ocorre a nível emocional. Investir o tempo juntos em uma atividade em comum significa que nos importamos um com o outro, apreciamos estar próximos e gostamos de fazer coisas em conjunto.

Fonte: As Cinco Linguagens do Amor

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Segunda Linguagem do Amor: Qualidade de Tempo

Era o meu dever perceber qual a primeira linguagem do amor de Betty Jo, logo no início, pelo que ela me disse naquela noite de primavera quando os visitei em Little Rock: “Bill é um bom provedor, mas não gasta tempo algum comigo!
Do que me servem a casa, o carro novo e as demais coisas se não os “curtimos” juntos?”
O que ela desejava? Ter um tempo de qualidade com seu marido. Ela queria que ele focalizasse nela a sua atenção, que lhe dedicasse mais tempo e pudessem realizar algumas atividades juntos. Quando digo “Qualidade de Tempo” desejo afirmar que você deve dedicar a alguém sua inteira atenção, sem dividi-la. Não significa sentar no sofá e assistir televisão. Quando o tempo é gasto dessa forma, quem recebe a atenção são as estações de TV, e não o cônjuge. O que pretendo afirmar é algo como sentar-se ao sofá com a televisão desligada, olhar um para o outro e conversar, no processo de dedicação mutua. É dar um passeio juntos, só os dois. É ambos saírem para comer fora, é um olhar nos olhos do outro e conversar.
Você já percebeu que, nos restaurantes, é perfeitamente possível notar a diferença entre um casal de namorados e um de casados? Os namorados miram-se nos olhos e “batem papo”. Os casados sentam-se à mesa e olham ao redor do restaurante. Pode-se dizer que foram ali apenas para comer!
Quando me sento ao sofá com minha esposa e dedico-lhe vinte minutos de minha inteira atenção e ela faz o mesmo por mim, concedemos um ao outro vinte minutos de nossa existência. Nunca mais teremos aquele tempo novamente! Entregamos ali parte de nossas vidas um ao outro. Esse é um poderoso comunicador do amor emocional.
Um único remédio não pode curar todas as enfermidades existentes. Em meu aconselhamento para Bill e Betty Jo, cometi um erro muito sério, pois afirmei que palavras de afirmação teriam o mesmo significado para os dois. Esperava com isso que, se cada um deles desse ao outro uma afirmação verbal, o clima emocional mudaria e ambos sentir-se-iam amados. Isso funcionou para Bill.
Seus sentimentos em relação a Betty Jo tornaram-se mais positivos.
Ela passou a apreciar mais o trabalho duro que ele desempenhava.
Porém, o mesmo não ocorreu com Betty Jo, porque “Palavras de Afirmação” não era sua primeira linguagem do amor, mas sim a qualidade de tempo.
Peguei novamente o telefone, liguei para Bill e agradeci-lhe o esforço feito nos últimos dois meses. Disse-lhe que ele fizera um bom trabalho ao dizer palavras de afirmação para Betty Jo e ela as ouvira. Ele me disse:
— Mas Dr. Chapman, ela ainda continua triste. Acho que as coisas não melhoraram muito para ela!
E eu lhe respondi:
— Você tem razão, Bill. E acho que sei o porquê. O problema é que sugeri a linguagem do amor errada!
Bill não tinha a menor noção do que eu estava falando.
Expliquei-lhe então que os motivos que levam uma pessoa a experimentar o amor emocional por outra não são necessariamente os mesmos.
Ele concordou comigo que a sua linguagem do amor era realmente “Palavras de Afirmação”. Contou-me então que desde menino isso era importante para ele e estava contente ouvir Betty Jo expressar apreciação pelas coisas que ele fazia. Expliquei, então, que a linguagem de Betty Jo não era “Palavras de Afirmação”, mas sim qualidade de tempo. Passei-lhe também o conceito de dedicar atenção integral ao cônjuge, dizendo-lhe que não deveria ouvi-la enquanto lia jornal ou assistia televisão, mas sim olhá-la nos olhos e dedicar-lhe toda a atenção; fazer com o cônjuge algo que ele aprecia, e ser realmente sincero nessa atividade. Ele então me disse:
“Algo como ir com ela a um concerto...” As luzes começavam a brilhar em Little Rock.
— Dr. Chapman, ela sempre reclamou disso! Nós não temos atividades em comum. Realmente não gasto sequer um momento com ela. Betty Jo lembra-me o tempo todo que antes de nos casarmos, costumávamos passear e tínhamos várias atividades juntos,
mas agora vivo ocupado demais. Essa é realmente sua linguagem do amor, sem sombra de dúvida. Mas... Dr. Chapman, o que eu posso fazer, se meu trabalho realmente exige muito de mim!?
Pedi-lhe, então, que me falasse sobre seu serviço. Por dez minutos ele me contou a história de como subira os degraus de sua firma, de quão arduamente trabalhara para isso e orgulhava-se de seus feitos. Falou-me também de seus planos para o futuro e que, pelos seus cálculos, dentro de cinco anos chegaria ao posto que sonhava.
Perguntei-lhe então:
— Você quer chegar lá sozinho, ou deseja a companhia de Betty Jo e de seus filhos?
— Quero que eles estejam comigo. É por isso que sofro tanto quando ela reclama do tempo que gasto no serviço. Realizo o que faço por nós. Quero que ela participe disso, mas Betty insiste em reagir negativamente.
— Você começa a entender o porquê dela ser tão negativa Bill?
A linguagem do amor de Betty Jo é “Qualidade de Tempo”. Você lhe dedica tão pouco tempo que o “tanque do amor” dela está vazio. Ela não sente segurança em seu amor. Por isso, em sua mente, ela rejeita o que o afasta dela, ou seja, seu trabalho. Ela realmente não odeia sua profissão. Ela detesta o fato de sentir tão pouco amor de sua parte. Só há uma solução para isso, Bill, e o preço é alto. Você terá de arrumar
um tempo para gastar com Betty Jo. Você precisa amá-la na linguagem dela.
— O senhor está certo, Dr. Chapman. Como devo começar?
— Você ainda tem o caderno onde anotou as características positivas de Betty Jo?
— Tenho, está bem aqui.
— Ótimo. Faça uma outra lista. O quê, em sua opinião, Betty Jo gostaria de realizar em sua companhia? Procure lembrar-se de coisas que ela já mencionou ao longo dos anos.
E a lista de Bill ficou assim:
• Pegar nosso carro novo e irmos para as montanhas passar uma semana (às vezes com as crianças, ou somente nós dois);
• Encontrá-la para almoçar (em um bom restaurante ou, algumas vezes, até no McDonald’s);
• Contratar uma babá para cuidar das crianças e juntos jantarmos fora (só nós dois);
• Todas as vezes que eu chegar em casa à noite, sentar e contar a ela sobre meu dia e ouvir o que ela tem a dizer sobre o dela (ela não gosta que eu veja televisão ou leia quando conversamos);
• Gastar um tempo com os filhos, e discutir a vida escolar deles;
• Gastar um tempo só brincando com as crianças;
• Fazer em um determinado sábado um piquenique com ela e as crianças e não reclamar das formigas e nem das moscas;
• Tirar férias com a família, pelo menos uma vez por ano;
• Sair para conversarmos, enquanto caminhamos (mas sem andar na frente dela).
Ao terminar a lista, Bill disse:
— São essas as coisas das quais me recordo, que ela fala ao longo de todos estes anos.
— Você já sabe o que eu vou sugerir-lhe, não é, Bill?
— Colocar essa lista em prática, não é? — respondeu ele.
— É isso mesmo. Um tópico da lista por semana, durante os próximos dois meses. Como você vai arrumar tempo? Dê um jeito.
Você é um homem inteligente e não estaria onde está se não soubesse tomar decisões importantes. Você possui a habilidade para planejar sua vida e incluir Betty Jo em seus planos.
— Está certo. Vou dar um jeito.
— Outra coisa, Bill. Tal projeto não implica na diminuição de seus alvos. Significa que, quando você chegar ao topo, Betty Jo e seus filhos estarão lá com você.
O aspecto central da “Qualidade de Tempo” é estar próximo.
Não quero dizer simples proximidade...
O estar junto tem a ver com o focalizar a atenção.
— E isso o que eu mais desejo! Esteja eu no topo ou não, quero que ela seja feliz e pretendo desfrutar a vida ao seu lado e das crianças.
E os anos se passaram... Bill e Betty Jo chegaram ao topo, apesar de um pequeno revés na vida, graças à linguagem do amor. O mais importante, porém, é que alcançaram a vitória juntos. Os filhos já deixaram o ninho e eles concordam que vivem os melhores anos de suas vidas. Bill tornou-se um sincero apreciador de concertos e Betty Jo aumentou a lista dos tópicos que aprecia no esposo. Ele não
se cansa de ir ao teatro. Começou recentemente sua própria companhia e está novamente próximo ao topo. Seu trabalho já não é uma ameaça para Betty Jo. Ela está animada e encoraja-o bastante.
Ela sabe que está em primeiro lugar na vida do marido. Seu “tanque do amor” está cheio, e se começar a esvaziar, ela sabe que uma simples solicitação sua fará com que Bill conceda-lhe atenção irrestrita.

Fonte: As Cinco Linguagens do Amor