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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Amor cotidiano

De segunda a sexta-feira. Sete horas e cinquenta minutos. Fiesta azul estaciona em frente ao ponto da linha Cristo Rei.
Ele dirige. Ela no banco do carona.
Ela desata o cinto. Ele abaixa o vidro.
Beijam-se. Beijo longo. Apaixonado. Seguem-se selinhos.
Ela desembarca. Ele sorri.
Ela contorna o carro. Abaixa-se à altura da janela do carro. Beijam-se novamente.
Ela arruma a bolsa. Ele sorri.
Ela atravessa a rua. Séria.
Ele fecha a janela. Liga o carro. Continua sorrindo.
Todo dia. Tudo sempre igual!

Sorrisos, beijos e despedidas pontuais.


sábado, 27 de fevereiro de 2016

Amor Tecido

amor de mãe
a mordomia
amor de criança
a mordida
amor de criatura
a mordaça
amor de extenuado
a morbidez
amor de fruta
amoreira
amor de máquina
amortecedor

amor de freguês
a mortadela
amor de dívida
a moratória
amor de verão
a moringa
amor de estruturalista
a morfologia

amor de bóia-fria
amornado
amor de mulata
amorenado

amor de sedativo
a morfina
amor de suíno
a morcela
amor de humorista
a mordacidade
amor de violácea
amor-perfeito

Solda - Kamikaze do Espanto, 2001

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Visita involuntária

Acredite em mim. Se eu pudesse escolher, jamais teria voltado a Toledo. Entretanto, uma escala de trabalho e uma caravana de empresários me fizeram voltar à cidade onde ocorreu grande parte do meu antigo e já falecido relacionamento.
Ali vivi um grande amor e acompanhar aquelas pessoas pelas ruas de Toledo, visitar lugares que me foram próprios, me fizeram revisitar meu passado. Confesso ter sido uma experiencia perturbadora.
Enquanto cruzava a Barão do Rio Branco me vi chegando inúmeras vezes àquela rodoviária com a mala e o coração repletos. Seguindo rumo à Nossa Senhora do Rocio um aperto tão grande tomou conta do meu peito, pânico generalizado e as lágrimas foram minhas companheiras de lembranças.
 Apesar do temporário desequilíbrio, sobrevivi, voltei, inteira, completa.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Nem se lembra mais...


Hoje eu ouço as canções que você fez pra mim
Não sei porque razão tudo mudou assim
Ficaram as canções e você não ficou.

Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou
Tanta coisa que somente entre nós dois ficou
Eu acho que você já nem se lembra mais.

É tão difícil olhar o mundo e ver o que ainda existe
Pois sem você meu mundo é diferente
Minha alegria é triste.

Quantas vezes você disse que me amava tanto
Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só sem ter você aqui

Esqueceu de tanta coisa que um dia me falou
Tanta coisa que somente entre nós dois ficou
Eu acho que você já nem se lembra mais

É tão difícil olhar o mundo e ver
O que ainda existe
Pois sem você meu mundo é diferente

Minha alegria é triste
Quantas vezes você disse que me amava tanto
Tantas vezes eu enxuguei o seu pranto
E agora eu choro só sem ter você aqui.

Roberto Carlos e Erasmo Carlos

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Não há como apagar um amor completamente

Texto: Fabrício Carpinejar

Até o incêndio mais grave não apaga tudo. Sobrará um recorte, as pontas de um papel, um resto de foto, que reconstitui a emoção primeira, a emoção fundamental da estréia de uma relação.


Não existe devastação perfeita, separação definitiva. Haverá algum escombro que representará o que foi construído um dia. Não perca tempo procurando, não perca tempo escondendo, virá à tona com o vento ou com as mãos desatentas na mudança de um guarda-roupa.


Não tem como apagar uma pessoa de sua vida - pretensão de quem pensa que manda no destino, soberba de quem jura que controla os fatos. Por mais que as chamas tenham gula, por mais que o fogo aproveite a fragilidade inflamável das palavras de madeira.

Chega um momento em que a recordação segue sozinha, involuntária e indomável,  sem o apoio da leitura, apenas deduzindo e completando as linhas queimadas.


Ninguém morre totalmente. Ninguém desaparece de um romance sem deixar marcas.

Sobreviverá uma relíquia em meio às cinzas que acordará as batidas do coração carbonizado.
Não duvide da astúcia do amor, ele recupera a identidade e o DNA do afeto com um simples fio de cabelo. Não precisa de muito. Depende de pouquíssimo: um bilhetinho, uma assinatura, o canhoto de uma passagem, um e-mail na lixeira.


O fim de uma relação queima o que está próximo dos olhos, não queima o invisível nos hábitos, o invisível dentro de nossos objetos prediletos, o invisível escondido em nossas canções favoritas.


Vestígios sempre ficam. Sempre emergem da vontade visceral de esquecer o passado.
Você pode ganhar a luta com o desejo, mas jamais vencerá a luta com a memória.
A memória era do casal, nunca exclusividade de um dos dois.



terça-feira, 13 de outubro de 2015

O sósia do amor

O orgulho se veste de amor, finge que é amor, é o clone do amor, é o sósia do amor.

Você pensa que ama, mas não, é apenas orgulho ferido. É alguém que disse “não” para você e pode passar décadas correndo atrás.

Só para provar que você presta e a outra pessoa se enganou.

O orgulho faz com que insista num relacionamento que nasceu morto.

Por orgulho, desperdiçamos uma vida. Por amor, multiplicamos a nossa vida.

Quando é orgulho, vivemos a vida do outro. Quando é amor, jamais deixamos de ser.

Amor não precisa de provas, demonstrações, jogos, disputas, vingança, isso é coisa do orgulho.

No orgulho, nunca está satisfeito. No amor, você transborda.

O orgulho é um capricho, o amor é destino.

O orgulho é ego, o amor é generosidade.

O orgulho é mágoa, o amor é perdão.

O orgulho é ressentimento, o amor é esperança.

O orgulho é se prender ao passado, o amor é liberdade de escolha.

O orgulho é impor seu projeto romântico a todo custo, o amor é criar um projeto a dois.

O orgulho é um amor fake, é um amor fabricado, é um amor falso, é um amor de segunda mão.

Fabrício Carpinejar


segunda-feira, 28 de setembro de 2015

De qualquer jeito

Estranhei que a minha mulher estava rindo das minhas piadas. Ela tem um humor diferente do meu.

Estranhei que eu e a minha mulher não discutíamos por qualquer coisa, por qualquer palavra, era uma paz sem tamanho.

Estranhei que um ouvia o outro sem interromper com novas cobranças.

Estranhei que ela aceitava minha irreverência, meus escândalos, meus dramas, minha ansiedade, minha mania de falar as novidades a cada quinze minutos.

Estranhei muito, tive que perguntar:
- O que aconteceu que o meu temperamento não vem mais lhe irritando?

Então, ela me deu a maior declaração de amor que já recebi na vida:
- Antes eu lhe queria do meu jeito, agora eu lhe quero de qualquer jeito.


Fabrício Carpinejar

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Palavras cruzadas




"Casal quando se ama
 vive fazendo 
palavras cruzadas 
em qualquer conversa."

Fabrício Carpinejar

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Tem gente que ama amar, mas odeia ser amado

Ame por dois, mas nunca pelos dois.

De repente o outro não é frio ou indiferente, é você que não para de inventar presente e ele não tem nem tempo para responder.

O exagero estraga a espontaneidade.

Dê chance para sua companhia demonstrar amor: não ocupe todo o espaço do relacionamento para agradar.

Fique uns dias sem juras, sem mimos, sem flores, sem bilhetes.

Deixe o outro responder antes de fazer uma nova surpresa.

Quando o carinho é demais e toda hora, há o risco do presenteado se sentir endividado, péssimo, menos, sufocado, sem poder retribuir as delicadezas.

A receita é não querer ser melhor do que o outro, mas ser melhor para o outro.



Fabrício Carpinejar

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

A importância de uma carta

Há gente que nunca recebeu uma carta - acho uma pena. É lindo. É um suspense. Carta está lacrada, precisa abrir sem rasgar o conteúdo, traz aquela sensação do destinatário ser especial, exclusivo de alguém. Como não tem assunto como o e-mail, reforça a curiosidade e a nossa importância de fazer segredo.

Além disso, a carta é quando dedicamos o nosso tempo a alguém. Não há maior declaração de amor do que perder tempo para uma pessoa. É escrever várias vezes até não errar mais, jogar rascunhos fora, definir a melhor frase, caprichar na letra, comprar envelope, ir no correio, selar a correspondência, procurar o CEP.

Tenho pena de quem nunca mandou uma carta. Não viveu aquela ansiedade feliz de esperar para descobrir se a pessoa gostou daquilo que foi escrito. Este intervalo é fundamental para imaginar o outro, sonhar com o outro, amar o outro.

Fabrício Carpinejar

sábado, 12 de setembro de 2015

Bilhetes pelo caminho

"Sra. Silvia. Eu me chamo Marilu." Assim começava um carinhoso bilhete que eu encontrei de baixo da porta do meu apartamento quando cheguei do trabalho. Fazia dois dias que eu morava no prédio e o papel era de apresentação da minha vizinha do apartamento 24. Era lá que o carteiro deixava as minhas correspondências. Havíamos combinado que se houvesse alguma coisa para mim, ela dava um toque no meu celular e desligava. Se precisasse falar comigo, ligaria duas vezes. Conversávamos à porta, às vezes por horas. Trocávamos gentilezas de vizinhas. Quando fazia bolo, levava para ela e quando completei um ano morando no prédio ela me presenteou com um par de meias que confeccionou para mim. Deixava bilhetinhos debaixo da minha porta com frequência e demonstrava preocupação comigo. Acredite, isso é muito raro vivenciar em uma capital.
Hoje, ao chegar do trabalho, um triste bilhete à porta do prédio avisava que a moradora do apartamento 24 havia partido... Aos seus, o meu carinho!‪#‎luto‬



sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Vamos voar?

Que eu e você possamos olhar as coisas simples da vida, nos encantamos com elas! Acredito que este é o segredo da felicidade!