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sexta-feira, 11 de março de 2011

Águas de Março fechando meu luto

Quando a terra foi destruída pelo dilúvio, Deus prometeu ao povo que nunca mais o faria com água. Para selar esta aliança, pintou o céu com um arco-íris.

Há pouco ouvia “Águas de Março”, do Jobim, em meio a uma chuva torrencial e esta música me chamou a atenção, como nunca.

Estes últimos meses me têm sido dolorosos (isso mesmo... ainda continuam), com encontro de pedras, de tocos e de dificuldades, que me deixaram “um pouco sozinha” e que me fizeram pensar que este era “o fim do caminho”.

Sempre morei em um pé de serra (não é forró) e meus queridos mais queridos moram no alto deste morro. Para vê-los, era necessário enfrentar a ladeira, chegava até com a respiração ofegante, mas ao fim havia a recompensa de estar com eles. A mesma canção me traz um alento “é o fim da ladeira”. E meu coração me pergunta: “O que de bom me há reservado?”

Como as “Águas de Março” encerram uma estação, estas águas também passaram a marcar o fim do meu luto. Vou em busca de um sol brilhante e um céu todo azul. E para assinalar esta busca, rumo ao Uruguai, que traz em sua bandeira estes dois elementos que preciso hoje: o céu e o sol.

É hora de fechar um ciclo. Um ciclo de dor. Encerro agora este blog e aguardo a vida que me foi prometida!

“São as Águas de Março fechando o verão, é promessa de vida no meu coração!”

P.S.: Acompanhe minha busca pelo http://pelomenosviajar.blogspot.com/

Será???

"Quem sabe Deus queira que conheças muita gente enganada antes que conheças a pessoa adequada para que, quando no fim a conheças, saibas estar agradecido."

Gabriel García Marquez

quinta-feira, 10 de março de 2011

Bicho de Sete Cabeças


Não dá pé, não tem pé nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez ter feito
O que você me fez, desapareça
Cresça e desapareça


Não tem dó no peito, não tem jeito
Não tem coração que esqueça
Não tem ninguém que mereça
Não tem pé, não tem cabeça
Não dá pé, não é direito
Não foi nada, eu não fiz nada disso
E você fez um bicho de sete cabeças
Bicho de sete cabeças

quarta-feira, 9 de março de 2011

Ou sim... ou não!

"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crêr que é para sempre mesmo quando eu digo convicto que nada é para sempre."

Gabriel García Marquez

terça-feira, 8 de março de 2011

Se as minhas mãos pudessem desfolhar

Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranquila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

Garcia Lorca

domingo, 6 de março de 2011

Blanco y Negro

Uau! Perfeita essa música do Jorge Drexler, interpretada pelo Moska...
A intenção era fazer um palheta de cores... uma aquarela... sobraram o branco e o preto!


Nuestra primera intención,
Era hacerlo en colores:
Una acuarela que hablara
De nuestros amores.

Un colibri polícromo
Parado en el viento,
Una canción arcoiris
Durando en el tiempo.

El director de la banda
Silbando bajito
Pensaba azules y rojos
Para el valsecito.

Pero ustedes saben, señores,
Muy bien cómo es esto;
No nos falló la intención,
Pero sí el presupuesto...

En blanco y negro
Esta canción
Quedó en blanco y negro
Con el corazón,
En blanco y negro,
Nieve y carbón,
En blanco y negro,
En technicolor,
Pero en blanco y negro...

Fuimos quitando primero
De nuestra paleta
Una mirada turquesa
De marco violeta.

Luego el carmín de las flores
Encima del piano,
Una caída de sol
Cuando empieza el verano.

Todos los tipos de verde
De una enredadera...
Ya ni quedaban coloresa
Para las banderas.

Nuestrar intención ya no fué
Más que un viejo recuerdo
Y esta canción al final
Se quedó en blanco y negro.

En blanco y negro
Esta canción
Quedó en blanco y negro
Con el corazón,
En blanco y negro,
Nieve y carbón,
En blanco y negro,
En technicolor,
Pero en blanco y negro...

sábado, 5 de março de 2011

Amor Desesperado...


Estava relendo "Comer, Rezar, Amar" e como hoje faz três meses do término do meu noivado, e hoje, com o coração mais leve, resolvi postar um trecho do livro...


"Meses passaram. Minha vida era um limbo, e eu esperava para ser libertada. (...) Sim, eu o amei. Se eu conseguisse pensar em uma palavra mais forte do que 'desesperadamente' para descrever o modo como o amei, usaria estava palavra aqui e um amor desesperado é sempre o tipo mais difícil de amor.

No amor desesperado, nós sempre inventamos os personagens dos nossos parceiros, exigindo que eles sejam o que precisamos que sejam, e depois ficando arrasados quando eles se recusam a desempenhar o papel que nós mesmos criamos"


Elizabeth Gilbert

sexta-feira, 4 de março de 2011

Eu acreditei... estou mudando meus conceitos...

"Me fizeram acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.Não me contaram que amor não é acionado, nem chega com hora marcada.

Me fizeram acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade. Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Me fizeram acreditar numa fórmula chamada "dois em um": duas pessoas pensando igual, agindo igual, que era isso que funcionava. Não me contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Me fizeram acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos.

Me fizeram acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto. Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Me fizeram acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não me contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.

Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo pra gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém."

John Lennon

quinta-feira, 3 de março de 2011

Sonhos

Há um lugar
Pra chegar
Há uma ponte
Que te levará
Pro outro lado
Há um sonho, uma voz
Dizendo: "os teus sonhos também são meus"
Vou te levar,te conduzir
E quando você alcançar
Saberás que em todo tempo
Eu estive ao teu lado

(Refrão)

Os teus sonhos são meus
Teus problemas são meus
Tua vida também é minha vida
Eu de ti cuidarei
Nunca te deixarei
Os teus sonhos eu realizarei

Vou te levar,te conduzir
E quando você alcançar
Saberás que em todo tempo
Eu estive ao teu lado

Chris Durán

quarta-feira, 2 de março de 2011

terça-feira, 1 de março de 2011

Tudo Novo De Novo

O post de hoje é uma sugestão da Claudia (minha irmã) e uma música do Paulinho Moska, chamada Tudo Novo de Novo!
Estou em busca de renovação, e de um ponto final.

TUDO NOVO DE NOVO
Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim

Vamos acordar
Hoje tem um sol diferente no céu
Gargalhando no seu carrossel
Gritando nada é tão triste assim

É tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos

Vamos celebrar
Nossa própria maneira de ser
Essa luz que acabou de nascer
Quando aquela de trás apagou

E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou

Mas é tudo novo de novo
Vamos nos jogar onde já caímos
Tudo novo de novo
Vamos mergulhar do alto onde subimos


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Soneto da Separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


Vinicius de Moraes

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Quando o sofrimento bater a sua porta

Esses dias recebi esta mensagem da minha irmã e achei interessante compartilhar com vcs...

"Estamos ressuscitando todos os dias. A cigarra fica um ano debaixo da terra para cantar somente um dia. Um ano se preparando para cantar até se arrebentar. O sofrimento é isso, um tempo de preparo. Louvado seja Deus pelos sofrimentos.

Todos os artistas compõem maravilhosas obras quando estão sofrendo, e toda vez que tocamos nos nossos limites, vamos além. Compomos música, pintura, criamos vida e caráter. Você pode estar se perguntando: "Mas eu não sou artista, e aí?" Você pode desenhar a sua alma, pode esculpir o seu caráter.

A cigarra não fica debaixo da terra por motivo de masoquismo. Não. É um tempo de preparo existencial da natureza.

Quando você perceber que o seu sofrimento está infértil, é o tempo de parar de sofrer.


Quando começamos a derramar as lágrimas, é o processo de cura que está nos lavando e purificando.

Quanto tempo pode durar um velório dentro de nós? O sepultamento do corpo tem que iniciar um processo de amizade com a vida. O sofrimento é criado dentro de nós. O velório não é uma situação de morte. O que fazemos com o ruim que aconteceu conosco? Não importa o que a vida fez com você, mas o que você faz com o que a vida fez com você. Não temos como evitar o desprezo do outro, vão acontecer coisas que não vamos gostar, mas somos nós que vamos ver quanto custa esse sofrimento.

Boa parte dos sofrimentos do ser humano está naquilo que nós pensamos e permitimos em nosso pensamento. Se racionalizarmos a nossa emoção, nós não sofreríamos.


Padre Fábio de Melo

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Como resistir aos longos namoros?

É fato que todos conhecemos alguém que namora há "séculos". Ou porque simplesmente se acomodou ou começou o relacionamento na adolescência e pretende realizar alguns projetos pessoais antes de trocar as alianças.

Para a psicóloga especialista em técnicas cognitivas e comportamentais, Karina Haddad Mussa, o problema não está nos anos e anos de namoro, mas sim na falta de comprometimento com si próprio e com o outro.

"Quem ama de verdade morre de medo de perder o parceiro. E quando o relacionamento desanda e os dois viram amiguinhos demais, vira acomodação e perde-se esse medo, o desejo de zelar pelo outro".

Conforme explica Karina, o namoro existe para que duas pessoas possam criar afinidades, aprender sobre si próprio e sobre o parceiro. Sem contar que as inúmeras discussões ajudam a dar os ajustes necessários para que o casal caminhe na mesma direção. "É como se cada parte envolvida trouxesse um espelho para dar ao outro o privilégio de se enxergar. Tiram-se as máscaras e mostra-se a verdade", garante.

A psicóloga faz questão de destacar uma frase: "O amor não é para preguiçosos". Mas, ainda assim, infelizmente, o ser humano tem tendência à acomodação. Portanto, para não cair na mesmice e transformar um relacionamento longo em casamento, o casal precisa entender que o amor é uma construção contínua.

"O correto é cuidar de um relacionamento como se cuida de si próprio. Você não vai à academia para cuidar do corpo? Não procura um nutricionista para melhorar a alimentação? Não procura remédios para curar suas dores? Com o amor é a mesma coisa", exemplifica. "E não se esqueça de manter a sua individualidade e a do parceiro. Resolva suas questões para estar pronto para o outro. Sua cara-metade não pode ser depósito das suas necessidades e expectativas. Não seja egoísta!"

Se por um lado um longo namoro baseado no comprometimento gera cumplicidade e companheirismo, sem alicerce ou metas pode levar o casal a perder de vista o real objetivo de um namoro, que é a construção de um projeto de vida a dois. "A relação precisa de amizade sim, mas não pode perder a paixão, o tesão", afirma Karina.

Fonte: Bonde

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Toda Ausência é Atrevida!

Insolente, sem-cerimônia, petulante e ousada... toda a ausência é! Havia ouvido essa frase do filósofo baiano - o Lúcio, vizinho da minha irmã - e agora ela está fazendo sentido absurdo... ela é atrevida demais! Percebo o atrevimento da ausência quando sinto meu peito doer de saudade, quando durmo chorando pensando e me perguntando o motivo pelo qual ainda te amo.
Atrevido está meu coração em desacreditar no amor, na verdade e na sinceridade de um olhar. Atrevida é ausência de sonhos e da minha metade, atrevida é a falta que a tua voz me faz. Atrevido é meu coração em ainda te amar!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Por que não me mudo para a Bahia?

Para marcar o fim das minhas férias e retorno ao meu trabalho, este texto do Rubem Alves me caiu no colo... M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!!!! A minha sugestão de leitura é o livro “Se eu pudesse viver minha vida novamente...” Sábias palavras... refletindo sobre elas até agora... E o engraçado disso tudo é que em um almoço, na casa "de" Bárbara e Joarez, ouvi essa mesma pergunta... "Por que vc náo vem morar na Bahia, fazer seu mestrado aqui?' E aí???

Com vocês... “Por que não me mudo para a Bahia?”


Há dois tipos de férias. O primeiro é quando o cavalo cansado, magro, castrado, vai para uma campina verde, sem ninguém que lhe dê ordens, sem hora para se levantar, sem nada para fazer, é só vadiar, pastar, descansar, correr, dormir, fazer o que lhe der na telha! Que felicidade! Bom seria que a vida toda fosse assim! Mas o tempo corre rápido. Passadas duas semanas, descansado e gordo, é hora de voltar para onde estava antes... para o cabresto, cerca, arreio, carroça, esporas e chicote, para isto que se chama realidade. É hora de retomar o trabalho no lugar onde ele havia deixado.
Ah! Todo cavalo precisa de férias para aguentar mais um ano de trabalho duro... Descansar para trabalhar! As empresas sabem disso. Se dão férias para os seus cavalos, não é porque os amem em liberdade. É porque precisam deles na sua volta, revigorados e trabalhadores, agradecidos à empresa que lhes dá férias. E há mesmo os cavalos que, ao final das férias, começam a sentir saudades do arreio e da carroça, querem voltar porque se cansam da liberdade. Todo mundo diz que quer liberdade. É mentira. A liberdade traz muita confusão à cabeça. Melhores são as rotinas, que nos livram da maçada de ter que tomar decisões sobre o que fazer com a liberdade. Quem tem rotinas não precisa tomar decisões. A vida já está decidida. O cavaleiro nem precisa puxar a rédea: o cavalo sabe o caminho a seguir.
O segundo tipo é quando as férias produzem uma perturbação não esperada na cabeça do cavalo. Aqueles campos verdes sem cercas começam a mexer lá no fundo da sua alma, justo no lugar onde estava enterrado o cavalo selvagem que ele fora um dia, antes do cabresto, do arreio e da castração. E aí um milagre acontece: o cavalo selvagem morto ressuscita, se apossa do corpo do cavalo doméstico, que vira outro e até reaprende as esquecidas artes de relinchar, de empinar, de saltar cercas, de disparar a galope pela pura alegria de correr, imaginando-se um ser alado, Pégaso voando pelas pastagens azuis do céu e pulando sobre as nuvens... É tão bom... E, de repente, deitado sob uma árvore, ele se lembra de que está chegando a sua hora de voltar... Mas ele não quer voltar. Quer ficar. Surgem então, na sua cabeça, perguntas que nunca fizera: “Por que é que eu sempre volto? Será mesmo preciso voltar? Estou condenado ao cabresto, arreio e castração? É isso que é a vida? Por que voltar se não quero? Volto porque é preciso? Mas será que preciso mesmo? Minha vida não pode ser diferente?
Essas ideias malucas só acontecem quando o cavalo está só com seus pensamentos. Férias em solidão são perigosas. É por isso que muitas empresas fazem colônias de férias para os seus empregados. Para que não fiquem sozinhos. Para que não pensem pensamentos doidos. Juntos, eles pensam pensamentos que todos pensam. Pensamentos normais. Os de sempre. O mesmo. Sobre o que conversam os cavalos domésticos nas colônias de férias? Eles conversam sobre cabestros, arreios, carroças, cavaleiros, carroceiros... E, assim, os cavalos selvagens continuam enterrados...
Eu quero me mudar para a Bahia. Eu posso me mudar para a Bahia. Mas eu não vou me mudar para a Bahia. Cavalo doméstico, voltei e vou ficar onde estou, onde sempre estive, pensando e escrevendo que quero me mudar para a Bahia, mas não vou me mudar para a Bahia. A Bahia soltou meu cavalo selvagem... Uma Bahia diferente, sem axé, sem atabaques, sem berimbau, sem capoeira, sem acarajé, sem som eletrônico, sem “o que é que a baiana tem?”, sem vatapá... Uma Bahia anterior à Bahia, uma Bahia muito antiga que está se perdendo na espuma do mar, uma Bahia que me leva ao início do mundo. Foi essa Bahia que viu Sophia de Mello Breyner Andresen, maravilhosa poetisa portuguesa, Bahia virgem, Bahia dos descobridores:
“Um oceano de músculos verdes, um ídolo de muitos braços como um polvo, caos incorruptível que irrompe e um tumulto ordenado, bailarino retorcido em redor dos navios esticados. O mar tornou-se de repente muito novo e muito antigo para mostrar as praias e um povo de homens recém-criados ainda cor de barro, ainda nus, ainda deslumbrados...”
Não, não se trata de praia. Praia é Guarujá, Ipanema, Porto Seguro, Cabo Frio, Camboriú, formigação humana, agito. Nessas praias o barulho não permite que se ouça nem a música do mar, nem a música do vento que balança as folhas dos coqueiros. Uma amiga, voltando de férias de Porto Seguro, disse-me que o barulho das batucadas era tal que ela teve de viajar quarenta quilômetros para ouvir o mar. Faz muitos anos, viajei setecentos quilômetros até Cabo Frio. Quando cheguei à praia, na ilusão do silêncio, fui agredido pelo som infernal que saía de uma barraca. Imagino que chegará um tempo em que todas as praias terão sido estupradas pela insensibilidade humana.
Foi na praia de Mangue Seco, aquela da Tieta do Agreste, a mais linda que já vi, areias brancas alisadas pelo mar imenso, mar sem fim, azul, verde e branco. Meu filho Sérgio tinha três anos quando viu o mar pela primeira vez. Em silêncio ficou a contemplar o mar, as ondas se quebrando sem cessar. E me perguntou: “O que é que o mar faz quando a gente vai dormir?” Era-lhe incompreensível a eternidade do mar. Também me espanto e me pergunto, sem resposta: “Há quanto tempo o mar se quebra alisando a areia?” O mar, a praia, as conchas, o céu, os peixes invisíveis nas profundezas, as gaivotas em voo, me falam da eternidade. Senti-me retornado ao início do mundo: “Foi, desde sempre, o mar...” Até as marcas dos pés, coisas do tempo, haviam sido apagadas pelo vento e pelas ondas. Solidão,


solidão robusta,
uma solidão para todos os lados,
uma ausência humana
que se opõe ao mesquinho formigar do mundo
(Cecília Meireles)


Senti o que sentia Murilo Mendes: “O minúsculo animal que sou acha-se inserido no corpo do enorme Animal que é o universo.” Universo, Animal enorme que me faz viver... Que mais bela experiências místicas posso desejar? Eu e o universo em silenciosa harmonia... Que milagre ou aparição de Virgem pode se comparar a esse sentimento? Eu, infinitamente pequeno, grão de areia e, ao mesmo tempo, infinitamente grande, bebendo o universo com meus olhos...
Quero me mudar para a Bahia. Mas sei que não vou me mudar para a Bahia. E não importa que seja a Bahia. As montanhas de Minas com suas matas e cachoeiras, o mar em cima porque

O mar de Minas não é no mar
O mar de Minas é o céu,
Pro mundo olhar pra cima e navegar
Sem nunca ter um ponto onde chegar.

- também as montanhas de Minas são parte do enorme Animal que é o universo... Quem sabe Pasárgada? Ou Maracangalha...
Todo mundo tem nostalgia por um outro lugar. Todo mundo gostaria de se mudar para um outro lugar mágico. Mas são poucos os que têm coragem de tentar. Talvez por saberem que a Bahia, como Pasárgada, não existe. Ela é um sonho que encanta, que acorda o cavalo selvagem desembestado pelas planícies do infinito. Mas a duração é curta porque a Bahia só existe no efêmero tempo das férias, dentro de uma bolha encantada de eternidade. Quando se volta lá, à procura, descobre-se que a bolha estourou e a Bahia mudou... Para onde terá ido? O triste é que o sonho acaba, mas o cavalo selvagem que o sonho acordou continua vivo. Quer galopar, relinchar, saltar... Mas não tem jeito. No mundo real os cavalos andar devagar, em círculos, sempre o mesmo caminho, fazendo girar a mó. E, enquanto andam, sonham que querem se mudar para a Bahia...
Sobra a memória: as lavadeiras alegremente lavando roupas dentro dos riachos de água límpida; sobra o brilho do sol da tarde refletindo na água espraiada na areia; sobram os divertidos caranguejos assustados correndo de lado com seus olhos-periscópicos esticados...; sobra a imensidão do mar; sobra a imensidão das praias; sobram o azul, o branco, o verde; sobra o silêncio das vozes dos homens; sobra céu estrelado; sobram os coqueirais, a água de coco...; sobra a sensação de se estar em paz com a vida. Disse a Adélia: “Aquilo que a memória amou fica eterno.” Talvez eu não precise me mudar para a Bahia porque ela sobrou dentro de mim...

Rubem Alves

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Um Grande Homem

Nós homens nos caracterizamos por ser o sexo forte, embora muitas vezes caiamos por debilidade.
Um dia, minha irmã chorava em sua casa... Com muita saudade, observei que meu pai chegou perto dela e perguntou o motivo de sua tristeza.
Escutei-os conversando por horas, mas houve uma frase tão especial que meu pai disse naquela tarde, que até o dia de hoje ainda me recordo a cada manhã e que me enche de força.
Meu pai acariciou o rosto dela e disse: “Minha filha, apaixone-se por Um Grande Homem e nunca mais voltará a chorar".
Perguntei-me tantas vezes, qual era a fórmula exata para chegar a ser esse grande homem e não deixar-me vencer pelas coisas pequenas...
Com o passar dos anos, descobri que se tão somente todos nós homens lutássemos por ser grandes de espírito, grandes de alma e grandes de coração, O mundo seria completamente diferente!
Aprendi que um Grande Homem... Não é aquele que compra tudo o que deseja, porque muitos de nós compramos com presentes a afeição e o respeito daqueles que nos cercam.
Meu pai lhe dizia:
"Não se apaixone por um homem que só fale de si mesmo, de seus problemas, sem preocupar-se com você... Enamore-se de um homem que se interesse por você, que conheça suas forças, suas ilusões, suas tristezas e que a ajude a superá-las.
Não creia nas palavras de um homem quando seus atos dizem o oposto.
Afaste de sua vida um homem que não constrói com você um mundo melhor. . Ele jamais sairá do seu lado, pois você é a sua fonte de energia...
Foge de um homem enfermo espiritual e emocionalmente, é como um câncer matará tudo o que há em você (emocional, mental, física, social e economicamente)
"Não dê atenção a um homem que não seja capaz de expressar seus sentimentos, que não queira lhe dar amor.
Não se agarre a um homem que não seja capaz de reconhecer sua beleza interior e exterior e suas qualidades morais.
Não deixe entrar em sua vida um homem a quem tenha que adivinhar o que quer, porque não é capaz de se expressar abertamente.
Não se enamore de um homem que ao conhecê-lo, sua vida tenha se transformado em um problema a resolver e não em algo para desfrutar”.
Não se apaixone por um homem que demonstre frieza, insensibilidade, falta de atenção com você, corra léguas dele.
Não creia em um homem que tenha carências afetivas de infância e que trata de preenchê-las com a infidelidade, culpando-a, quando o problema não está em você, e sim nele, porque não sabe o que quer da vida, nem quais são suas prioridades.
Por que querer um homem que a abandonará se você não for como ele pretendia, ou se já não é mais útil?
Por que querer um homem que a trocará por um cabelo ou uma cor de pele diferente, ou por uns olhos claros, ou por um corpo mais esbelto?
Por que querer um homem que não saiba admirar a beleza que há em você, a verdadeira beleza… a do coração?
Quantas vezes me deixei levar pela superficialidade das coisas, deixando de lado aqueles que realmente me ofereciam sua sinceridade e integridade e dando mais importância a quem não valorizava meu esforço?
Custou-me muito compreender que GRANDE HOMEM não é aquele que chega no topo, nem o que tem mais dinheiro, casa, automóvel, nem quem vive rodeado de mulheres, nem muito menos o mais bonito.
Um grande homem é aquele ser humano transparente, que não se refugia atrás de cortinas de fumaça, é o que abre seu CORAÇÃO sem rejeitar a realidade, é quem admira uma mulher por seus alicerces morais e grandeza interior.
Um grande homem é o que cai e tem suficiente força para levantar-se e seguir lutando...
Hoje minha irmã está casada e feliz, e esse Grande Homem com quem se casou, não era nem o mais popular, nem o mais solicitado pelas mulheres, nem o mais rico ou o mais bonito.
Esse Grande Homem é simplesmente aquele que nunca a fez chorar… É QUEM NO LUGAR DE LÁGRIMAS LHE ROUBOU SORRISOS…
Sorrisos por tudo que viveram e conquistaram juntos, pelos triunfos alcançados, por suas lindas recordações e por aquelas tristes lembranças que souberam superar, por cada alegria que repartem e pelos 3 filhos que preenchem suas vidas.
Esse Grande Homem ama tanto a minha irmã que daria o que fosse por ela sem pedir nada em troca...
Esse Grande Homem a quer pelo que ela é, por seu coração e pelo que são quando estão juntos.

Arnaldo Jabor

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Amor Faz a Diferença

O amor não é a nossa única necessidade emocional. Psicólogos têm observado que entre nossas carências básicas encontram-se a segurança, a autovalorização e o significado. O amor, no entanto, relaciona-se com todas elas.
Se me sinto amado (a) por meu cônjuge, consigo relaxar, pois confio que seu amor não me fará mal algum. Acho-me seguro (a) em sua presença. Posso enfrentar muitas incertezas em meu emprego e ter inimigos em outras áreas de minha vida, mas sinto segurança em
relação a meu cônjuge.
Meu senso de autovalorização é alimentado pelo fato de saber que meu cônjuge me ama. O amor que ele me dedica aumenta minha autoestima.
A necessidade de significado é a força emocional por trás da maior parte de nossos atos. A existência humana é pautada pelo desejo de sucesso. Queremos que nossas vidas valham a pena.
Temos nossas próprias idéias de onde encontrar esse significado e trabalhamos duro para atingir nossos alvos. Ser amado (a) por nosso cônjuge aumenta nosso senso de significado. Concluímos: “Se alguém me ama, então devo significar algo para essa pessoa”.
Tenho significado porque sou a obra-prima da criação. Possuo a habilidade de pensar em termos abstratos, comunicar meus pensamentos por meio de palavras e tomar decisões. Através da palavra escrita ou gravada, posso beneficiar-me com os pensamentos
daqueles que me precederam. Sou enriquecido pelas experiências de outros, mesmo que tenham vivido em épocas e culturas diferentes. Com a morte de meus familiares e amigos, experimento o fato de que há uma existência além do material. Concluo que, em todas as culturas, as pessoas acreditam no mundo espiritual. Meu coração afirma que isso é verdade, mesmo que minha mente, treinada em observação científica, levante questionamentos a
esse respeito.
Tenho significado. A vida possui um sentido. Existe um propósito mais alto. Quero acreditar nisso, mas não consigo encontrar esse significado até que alguém expresse amor por mim. Quando meu cônjuge, de forma amorosa, investe tempo, energia e esforço em minha pessoa, acredito que tenho significado. Sem amor, passo a vida inteira na busca do significado, da autovalorização e da segurança.
Porém, quando experimento o amor, ele impacta positivamente todas estas necessidades. Torno-me então livre para desenvolver meu potencial. Sinto-me mais seguro em minha autoestima e posso canalizar meus esforços para outra direção ao invés de ficar obcecado com minhas próprias necessidades. O amor verdadeiro sempre resulta em libertação.
No contexto do casamento, se não nos sentimos amados, as diferenças tornam-se ampliadas. Observamos um ao outro como ameaça à própria felicidade. Lutamos por autovalorização e significado e o casamento torna-se mais um campo de batalha do que um porto seguro.
O amor não oferece resposta para tudo, mas cria um clima de segurança no qual podemos buscar soluções para as questões que nos aborrecem. Na convicção do amor os casais podem conversar sobre diferenças sem condenação.
Conflitos podem ser resolvidos. Duas pessoas diferentes podem aprender a viver juntas em harmonia. Descobrimos como fazer surgir o melhor de cada um. Podemos chamar a isso tudo de recompensas do amor.
A decisão de amar seu cônjuge encerra um tremendo potencial. Aprender a primeira linguagem do amor dele transforma este potencial em realidade. O amor realmente “faz o
mundo girar”. Pelo menos, isso é afirmado no que diz respeito a Jean e Norman.
Eles viajaram três horas para chegar em meu escritório. Era óbvio que Norman estava contrariado. Jean “torcera seu braço” com a ameaça de deixá-lo. (Não sou a favor e nem recomendo esta atitude, mas as pessoas não podem saber disso antes que nos encontremos.) Estavam casados há trinta e cinco anos e nunca haviam tido um aconselhamento conjugai.
Jean iniciou a conversa.
— Dr. Chapman, gostaria que o senhor soubesse de duas coisas. Em primeiro lugar, não temos problemas financeiros. Li uma revista que afirmava ser o dinheiro o maior problema no casamento.
Este, porém, não é o nosso caso. Nós dois trabalhamos a vida toda, a casa está paga e os carros também. Realmente não temos dificuldades financeiras. Em segundo lugar, o senhor precisa saber que nós não brigamos. Ouço sempre meus amigos dizer das brigas que tiveram. Nós nunca discutimos. Não consigo nem me lembrar da última vez em que tivemos uma discussão. Nós dois concordamos que brigas não levam a nada, então não brigamos.
Como conselheiro, apreciei o fato de Jean jogar um pouco de luz para começarmos. Sabia que ela iria direto ao ponto. Ela demonstrou que agiria assim logo em suas primeiras palavras. Queria ter certeza de que não nos ateríamos ao que não fosse necessário, pois seu objetivo era utilizar o horário que tinha de forma sábia.
Ela continuou:
— O problema é o seguinte: sinto que meu marido não me ama. A vida tornou-se rotineira para nós. Levantamos pela manhã e vamos ao trabalho. De tarde, dedico-me aos meus afazeres e ele aos dele. Costumamos jantar juntos, mas não conversamos. Ele assiste
televisão enquanto comemos. Após o jantar refugia-se no porão e dorme em frente à TV, até que o acordo e digo-lhe que já é hora de ir para a cama. Essa é nossa vida cinco dias por semana. Aos sábados ele joga golfe na parte da manhã, trabalha no jardim às tardes e, às
noites, saímos para jantar com um casal de amigos. Ele dialoga com eles, mas quando entramos no carro para retornar à nossa casa, a conversa simplesmente termina. Quando chegamos, ele dorme em frente à TV até a hora de ir para a cama. Aos domingos pela
manhã vamos à igreja. Nós vamos à igreja toda manhã de domingo.
Ela enfatizou e prosseguiu:
— Depois, almoçamos fora com alguns amigos. Ao chegarmos em casa, ele dorme em frente à televisão a tarde toda. À noite vamos à igreja; depois voltamos para o lar, comemos pipoca e vamos para a cama. Fazemos isso todas as semanas. E é só isso. Somos como dois colegas que moram na mesma casa. Não há nada de especial entre a gente. Não sinto, de forma alguma, que ele me ame. Não há calor, não há emoção. E só vazio, só morte. Não sei se consigo mais
continuar desse jeito.
Aquela altura, Jean chorava. Dei-lhe um lenço de papel e olhei para Norman. Suas primeiras palavras foram:
— Não consigo entendê-la! Tenho feito tudo o que posso para demonstrar que a amo, especialmente nos últimos dois ou três anos, quando ela começou a reclamar mais. Nada parece agradá-la. Não importa o que eu faça pois ela continua a reclamar que não se sente
amada. Não sei mais o que fazer!
Era nítido que Norman estava frustrado e muito irritado. Então eu lhe perguntei:
O que você tem feito para demonstrar seu amor por Jean?
Bem, para começar, eu chego em casa antes dela e todas as noites adianto o jantar. Para falar a verdade, quatro vezes por semana, eu tenho o jantar quase pronto quando ela chega à nossa residência. Na quinta noite da semana, saímos para comer fora.
Depois do jantar, três vezes por semana lavo a louça. Em uma das quatro noites tenho uma reunião, mas por três noites lavo toda a louça. Limpo a casa toda porque ela tem problema de coluna. Faço todo o trabalho de jardinagem porque ela é alérgica ao pólen das flores. Retiro a roupa da secadora e em seguida dobro-a.
E ele prosseguiu a dizer todas as outras coisas que fazia por Jean. Quando terminou de falar, pensei: Esse homem realiza tudo em casa, e o que sobra para a esposa fazer? Não sobrava quase nada para ela!
Norman continuou:
— Faço todas estas coisas para demonstrar meu amor por ela e ainda a ouço lhe dizer a mesma coisa que me afirma há uns dois ou três anos: não se sente amada por mim. Não sei mais o que fazer por ela!
Quando me virei novamente para Jean, ela disse:
— Tudo bem dele fazer todas essas coisas. Mas eu quero que ele se sente no sofá e converse comigo! Nós nunca dialogamos. Há trinta anos que nós não conversamos. Ele está sempre ocupado em lavar a roupa, limpar a casa, cortar a grama. Ele está sempre ocupado em alguma coisa. Quero que ele se sente ao meu lado e dê-me um pouco de seu tempo, olhe para mim, fale comigo sobre nós e nossas vidas.
Jean mais uma vez chorou. Era óbvio para mim que sua primeira linguagem do amor era “Qualidade de Tempo”. Ela clamava por atenção. Queria ser tratada como gente, não como um objeto.
Todo o trabalho de Norman não supria sua necessidade emocional.
Mais tarde, quando conversei com ele, descobri que também não se sentia amado, mas simplesmente não falava sobre isso. Disse-me:
— Se você já está casado há 35 anos, tem suas contas pagas, não brigam um com o outro, o que mais pode esperar?
Ele estava neste ponto, quando lhe perguntei:
— Que tipo de mulher seria ideal para você? Se fosse possível ter uma esposa perfeita, como ela deveria proceder?
Ele, pela primeira vez, olhou-me nos olhos e perguntou:
— O senhor quer mesmo saber?
Respondi-lhe que sim. Ele então sentou-se no sofá, cruzou seus braços e disse:
— Tenho sonhado sobre isso. A esposa perfeita seria aquela que às tardes fizesse o jantar para mim, enquanto eu trabalhasse no jardim, chamasse-me e dissesse que o jantar estava na mesa. Após o jantar, ela lavaria a louça. Eu, possivelmente a ajudaria, mas arrumar a cozinha seria responsabilidade dela. Ela também pregaria os botões de minhas camisas quando eles caíssem.
Jean não conseguiu mais se conter. Virou-se para o marido e disse:
— Não acredito no que ouço. Você me disse que gostava de cozinhar!
Norman então respondeu:
— Eu não me importo de cozinhar. Ele apenas perguntou como seria para mim a esposa ideal. Percebi, também, sem que fossem necessários mais dados, a primeira linguagem do amor de Norman — “Formas de Servir”. Por que você acha que ele fazia todas aquelas coisas para Jean? Porque aquela era a sua linguagem do amor. Em sua mente, aquela era a forma de se demonstrar amor a uma pessoa: através das várias “Formas de Servir”. O problema era que “Formas de Servir” não era a primeira linguagem de amor de Jean. Não tinha, para ela, o
significado emocional que existiria para ele, se ela utilizasse para com ele “Formas de Servir”.
Quando a luz brilhou na mente de Norman, a primeira coisa que ele disse foi:
— Por que ninguém me falou sobre isso trinta anos atrás? Eu teria me sentado no sofá ao lado dela durante quinze minutos, todas as noites, ao invés de fazer todas aquelas coisas.
Ele, então, virou-se para Jean e disse:
— Pela primeira vez em minha vida, entendo o seu sofrimento quando fala que não dialogamos. Eu não conseguia entender isso. Na minha forma de enxergar as coisas, nós conversávamos. Eu sempre perguntava se você dormira bem, e achava que aquilo era uma
diálogo. Mas agora compreendo tudo. Você quer que sentemos no sofá por uns quinze minutos às noites, olhemos um para o outro e conversemos. Só agora entendo o que você desejava dizer, e porque isso é tão importante. E sua linguagem do amor emocional, e vamos
começar hoje à noite mesmo. Vou lhe dedicar quinze minutos naquele sofá, pelo resto de minha vida. Você pode contar com isso!
Jean virou-se para Norman e disse:
— Seria maravilhoso, e também não me importo de fazer o jantar para você. Vai ficar pronto um pouco mais tarde, porque chego do serviço depois de você, mas não me importo em cozinhar. E vou adorar pregar seus botões. Você nunca os deixa soltos o tempo suficiente para que eu possa pregá-los... Também vou lavar a louça pelo resto de minha vida, se isso faz com que você se sinta amado.
Jean e Norman voltaram para casa e começaram a amar-se na linguagem certa um do outro. Em menos de dois meses, achavam-se em uma segunda lua-de-mel. Eles me ligaram das Bahamas para contar sobre a mudança radical que o casamento deles passara.
É possível o amor emocional renascer em um casamento? Pode apostar! A chave é aprender a primeira linguagem do amor de seu cônjuge e decidir utilizá-la.

Fonte: As Cinco Linguagens do Amor